Novo itinerário do PROEJA no Colégio Pedro II: avanços ou retrocessos?

Marcos Vinicius Reis Fernandes

Resumo


O presente artigo objetiva promover a reflexão a respeito do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA) do Colégio Pedro II. Buscamos contextualizar o programa e analisar, de forma ainda que preliminar, a implementação do curso integrado em Assistente Administrativo. Comparamos os componentes curriculares dos cursos integrados: Técnico em Administração e Assistente Administrativo, a fim analisar o novo como um desdobramento do velho. Tal proposta é provocada após observar um rompimento do Colégio Pedro II com a tradição do PROEJA de ofertar cursos técnicos integrados, passando a ofertar um curso de caráter profissionalizante. Como pressuposto teórico-metodológico, realizamos um estudo bibliográfico e documental, contando com as contribuições de Gramsci (1978); Kosik (2002), Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005); Kuenzer (2007; 2017) e com análise dos documentos: Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) 9.394/96, os Decretos 5.478/05 e 5.840/06, que institucionalizaram o PROEJA, a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017), as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 2018) e a matriz curricular dos cursos do PROEJA do Colégio Pedro II (2019). Concluiu-se que o PROEJA, em seu formato original de curso técnico, tem um projeto curricular direcionado a uma prática crítica/emancipatória, já o PROEJA integrado profissionalizante tende à promoção de uma formação mais imediata/aligeirada para atuação no mundo do trabalho, visando especialmente à produção de valor econômico. Ademais a nova roupagem dada ao programa não conseguiu romper um problema pré-existente da instituição de concretização das matrículas pelos candidatos no PROEJA.


Palavras-chave


Assistente administrativo. Colégio Pedro II. PROEJA.

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