Upcycling de subprodutos da agroindústria da Amazônia e do Cerrado
microrrevisão de tecnologias e impactos socioeconômicos
DOI:
https://doi.org/10.47236/2594-7036.2026.v10.1896Palavras-chave:
Amazônia, Bioeconomia, Cerrado, Resíduos agroindustriais, UpcyclingResumo
Este trabalho, focado nos biomas Amazônia e Cerrado, aborda o desafio ambiental e a oportunidade econômica representados pelo crescente volume de subprodutos agroindustriais, cujo descarte inadequado é problemático. O upcycling, que transforma resíduos em produtos de maior valor, se apresenta como uma estratégia central para a bioeconomia e o desenvolvimento sustentável. Com o objetivo de mapear e analisar as rotas tecnológicas para o upcycling de subprodutos das cadeias de açaí, cupuaçu, castanha-do-pará e pequi, avaliar os impactos socioeconômicos locais e identificar lacunas de conhecimento, conduziu-se uma revisão seguindo as diretrizes PRISMA 2020. Os dados das buscas, realizadas nas bases Google Acadêmico, Scopus e Web of Science, foram sintetizados qualitativamente. Os resultados identificaram rotas tecnológicas promissoras: para o açaí, destacam-se a extração de óleo rico em ácidos graxos com potencial farmacológico e a produção de farinha funcional; o cupuaçu permite a obtenção de isolados proteicos da semente com até 64,33% de proteína; o ouriço da castanha-do-pará é viável para a produção de carvão ativado de alta qualidade; e a casca de pequi, embora de forma incipiente, mostra-se promissora para farinhas funcionais. Socioeconomicamente, o upcycling gera renda local e se alinha aos objetivos do desenvolvimento sustentável, apesar das barreiras de infraestrutura e políticas públicas. Conclui-se que o potencial é vasto, mas a transição da escala laboratorial para a industrial e a integração dessas inovações nas comunidades exigem investimentos em tecnologias verdes, estudos de viabilidade econômica e políticas de fomento que articulem a pesquisa às necessidades locais.Downloads
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Referências
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