Sombras na floresta
a função pedagógica da assombração
DOI:
https://doi.org/10.47236/2594-7036.2026.v10.2055Palavras-chave:
Ecocrítica, Educação indígena, Teoria da residualidade, VisagemResumo
As culturas ameríndias do Brasil são ricas em contos preventivos, narrativas que servem para manter os seres humanos - indígenas e não indígenas - cientes dos perigos que rondam sob as matas, essenciais para a educação indígena. São enredos repletos de criaturas cuja intenção é unicamente antagonizar o caçador, o pescador ou qualquer um que adentre esse espaço de forma imprudente, ao ponto de instaurarem uma série de práticas ritualísticas para mantê-los à distância. Esta proposta utiliza a Teoria da Residualidade Cultural e Literária (Pontes, 2019; Torres, 2011) para traçar paralelos residuais entre figuras como o Anhangá marajoara, que assume papel de destaque na fé em encantarias da região (Lima, 2022), e os Kawera-Zorak, descritos pelo povo Maraguá (Yamã, 2012; 2007). A utilização da leitura comparativa-residual tem como resultado a construção de um mosaico imagético que oferece possibilidades de compreensão mais amplas sobre o papel de tais criaturas para essas espiritualidades, uma vez que não se trata apenas de bichos-papões em contos de fadas, mas da manifestação do sagrado no mundo profano (Eliade, 1992), componente indispensável dos mundos amazônicos. Dessa forma, tais seres assumem uma dimensão ecocrítica (Mendes, 2022; Goodbody, 2014), dando a essas criaturas uma tensão complexa: são vistas como maléficas por ameaçarem a integridade humana, mas, justamente por isso, são uma medida necessária para a saúde desses ecossistemas e para o estilo de vida dos povos amazônidas, lição indispensável se quisermos depreender dessas narrativas funções pedagógicas.Downloads
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