Um percurso histórico-crítico sobre o neoliberalismo e seus impactos na educação Brasileira
DOI:
https://doi.org/10.47236/2594-7036.2026.v10.1894Palavras-chave:
Desigualdade social, Educação Brasileira, Neoliberalismo, Metabolismo político, Políticas educacionaisResumo
O presente estudo objetiva analisar criticamente os impactos das políticas educacionais neoliberais no Brasil a partir da perspectiva do metabolismo político, identificando suas implicações para a universalização do ensino e a formação crítica dos sujeitos. Parte-se do pressuposto de que a educação, historicamente estruturada como instrumento de reprodução social e de manutenção das desigualdades, é intensificada, no contexto neoliberal, por processos de mercantilização, precarização do trabalho docente e subordinação curricular às demandas do mercado. A pesquisa caracteriza-se como revisão bibliográfica qualitativa, desenvolvida no âmbito de uma investigação interdisciplinar, sustentada em abordagem teórico-crítica e nos conceitos de Estado neoliberal, de Estado ampliado, e de metabolismo político, conforme delineado por Alves. O levantamento sistemático inclui livros, artigos científicos, dissertações e documentos oficiais, priorizando obras que articulam análise histórica, reflexão crítica e evidências empíricas acerca das políticas educacionais neoliberais no Brasil. Os resultados indicam que, desde o período colonial, a educação cumpre papel estruturante na manutenção das desigualdades sociais, sendo que, no contexto contemporâneo, políticas neoliberais intensificam práticas gerenciais orientadas por metas e indicadores, padronizam currículos e consolidam a mercantilização do ensino, comprometendo seu potencial emancipador. O metabolismo político articula interesses econômicos e agendas governamentais para reproduzir essas práticas e assegurar a manutenção da ordem social vigente. Conclui-se que compreender o metabolismo político é imprescindível para identificar mecanismos estruturais de desigualdade, orientar a formulação de políticas públicas e viabilizar alternativas que promovam uma educação pública, crítica, democrática e socialmente justa, ressaltando a centralidade da valorização docente, da autonomia pedagógica e da formação integral dos sujeitos para efetivação do direito a educação.Downloads
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